PAÍSES-MEMBROS DISCUTEM AUMENTO DE CAPITAL DO BID

Representantes de 46 países-- os 29 das três Américas e do Caribe, à exceção de Cuba, e mais 17 de fora da região-- estão reunidos neste fim de semana, na sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington (EUA), para discutir a proposta de aumento de capital da instituição, de US$60 bilhões para US$100 bilhões. Já há consenso sobre uma maior participação relativa do Japão e países europeus no capital acionário, com o consequ"ente recuo do peso específico dos EUA e dos países latino-americanos. Ainda não há unanimidade sobre uma série de outras questões, como, por exemplo, se a América Latina terá mais uma cadeira na atual diretoria de 12 membros-- outra já está assegurada ao Japão-- e se o BID, ao contrário do que acontece com o Banco Mundial (BIRD), vai dispensar o aval dos governos dos financiamentos que poderá conceder a projetos de infra-estrutura realizados pela iniciativa privada. Esta reunião é informal e não tem caráter deliberativo, mas há a intenção de acomodar todas as divergências antes da assembléia anual do BID, marcada para 11 de abril próximo, em Guadalajara, no México, quando se oficializará o oitavo aumento de capital do banco e se decidirá sobre o compromisso de dedicar 50% do volume de empréstimos da entidade para peojetos de alcance social, destinados à diminuição dos níveis de pobreza nos países tomadores desses financiamentos. Esse aumento de 66% no capital, segundo a quase unanimidade de seus membros, dará condições ao BID de expandir sua carteira de empréstimo para cerca de US$7 bilhões anuais (no passado, o BID financiou US$6,1 bilhões, 30% em projetos de natureza social), pelos próximos 20 anos, sem necessidade de periódicas e desgastantes negociações em busca de mais aportes. A atual recomposição, por exemplo, vem sendo discutida desde 1992. Outra questão ainda não decidida é a dos países considerados de menor crescimento econômico relativo com acesso pleno aos recursos do Fundo de Operações Especiais, que também será ampliado em cerca de US$950 milhões na assembléia de Guadalajara. Esse fundo concede doações ou empréstimos a juros baixos-- entre 1% e 3% anuais, com 40 anos para pagar- - aos 11 países mais pobres da região: Belize, Bolívia, El Salvador, Equador, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Nicarágua, Paraguai e República Dominicana. Há uma proposta para reduzir esse grupo a apenas cinco (Bolívia, Nicarágua, Haiti, Guiana e Honduras). Evidentemente com protesto de todos os excluídos (GM).