CNBB PEDE DEMOCRACIA E DIÁLOGO

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou ontem nota oficial afirmando que a Nação "está enfrentando árduo desafio de natureza ética, econômica, social e política". O documento, com o título "O Bem de Todos", lembra "o dever cívico de manter e promover a democracia" e apena para a harmonia e o diálogo entre os três Poderes. "A atual turbulência é superável, contando que se tenha em vista o bem de todos". O presidente da CNBB, dom Luciano Mendes de Almeida, defendeu uma solução para a crise, que considera de natureza administrativa. A proposta de dom Luciano é reeditar a Medida Provisória 434, que criou a Unidade Real de Valor (URV), para evitar ambiguIdades na interpretação como o critério adotado pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para a conversão dos seus salários. A nota divulgada pela CNBB diz que a Igreja tem confiança no patriotismo dos membros do Executivo, Legislativo e Judiciário. "Diante de uma proposta de um plano econômico, cabe-nos discuti-lo, aperfeiçoá-lo. Não podemos deixar de colaborar para que o problema econômico seja solucionado". O presidente da CNBB afirmou que a crise deve ser resolvida dentro do regime democrático e disse que a questão não é de choque entre os Poderes. "É simplesmente uma questão de política financeira", disse. O "programa de governo" da Igreja Católica, também divulgado ontem pela CNBB, prevê a fusão dos ministérios militares em um único Ministério da Defesa controlado também pelo Congresso Nacional, e o fim da Justiça Militar. Os militares passariam a ser julgados pela Justiça Comum. As propostas, que serão debatidas em julho com os candidatos à Presidência da República, foram avaliadas pelos bispos como "próximas à esquerda". A CNBB critica a atual estrutura militar no documento. Segundo os bispos, as Forças Armadas, "em várias ocasiões, se constituem em poder independente, e nestes momentos o aparato militar é tomado por uma posição de arbítrio e prepotência". O programa da Igreja, intitulado "Brasil: Alternativas e Protagonistas", pretende ser uma "fonte inspiradora" para os próximos governantes e parlamentares, mas a CNBB refuta ligações com partidos ou candidatos (O ESP) (FSP).