ACUSAÇÃO DE DUMPING SOCIAL MOBILIZA PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO

O Brasil e outros países do Terceiro Mundo reagiram ontem com indignação à proposta de inclusão de uma cláusula social no próximo Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). O acordo será firmado em abril, em Marrakesh. Por iniciativa da França, apoiada pelos países ricos do Grupo dos Sete (G-7), entre eles EUA, Canadá e Itália, uma cláusula puniria, em acordos de comércio internacional, a prática conhecida por dumping social-- uso de mão-de-obra com baixíssima remuneração nos países pobres para baixar preços de produtos de exportação. Os países ricos consideram isso "grave distorção da competitividade do comércio internacional". Oficialmente, o objetivo é atenuar o fosso salarial, mas, segundo diplomatas dos países em desenvolvimento, não passa de mais um artifício para discriminar a concorrência dos países mais pobres. É uma manobra claramente protecionista, declarou ontem o representante brasileiro na União Européia (UE), em Bruxelas, o embaixador Jório Dauster. Ele comenta nunca ter se falado dessa cláusula durante toda a negociação da Rodada Uruguai, não havendo razão para ser incluída no momento da assinatura final do documento. "A medida pode ter um efeito bumerangue, pois poderá reduzir ainda mais a capacidade de compra dos países mais pobres, afetando o próprio nível de emprego nos países desenvolvidos, já em crise", afirmou Dauster (O ESP).