Milhares de pessoas afluíram ontem à sede central do Partido Revolucionário Institucional (PRI) para dar o último adeus a Luís Donaldo Colosio, assassinado na véspera em Tijuana, durante campanha presidencial, que o apontava como favorito. A morte do economista de 44 anos comoveu e abateu um povo que ainda parece não ter absorvido o impacto causado pela revolução indígena de Chiapas, em janeiro. Colosio foi morto com um tiro na cabeça e outro no abdômen, disparados à queima-roupa durante comício. O pistoleiro foi identificado como Mário Arbuto Martínez, de 23 anos, um mecânico. Segundo informou um funcionário federal dos EUA, a pistola utilizada no atentado, um Tauros calibre 38, foi fabricada no Brasil e comprada em 1977 por um desconhecido na Califórnia (EUA). O presidente Carlos Salinas de Gortari, amigo de juventude de Colosio, decretou dia de luto nacional ontem e todas as atividades nas repartições estatais foram suspensas. Os bancos também fecharam. Os candidatos presidenciais de outros partidos políticos para as eleições de 21 de agosto anunciaram a suspensão de suas campanhas, em uma demonstração de repúdio ao assassinato. O panorama político, que se complicara seriamente no início do ano ao explodir uma rebelião camponesa em Chiapas, parecia ainda mais confuso. A principal dúvida no México é sobre o candidato que substituirá Colosio no PRI. Manuel Camacho Solis, o coordenador de paz e reconciliação em Chiapas, que disputou a designação também pelo PRI, anunciara um dia antes sua decisão de não mais se candidatar de forma independente. Se Camacho Solis não reconsiderar a decisão, o terceiro indicado como candidato seria o atual secretário de Fazenda, Pedro Aspe, responsável pelo plano econômico colocado em prática por Salinas de Gortari. O assassinato de Colosio provocou ondas de choque que causaram ontem uma forte queda na Bolsa de Valores de Nova Iorque (EUA), baixa dos papéis mexicanos e latino-americanos em Londres (Inglaterra), e principalmente atingiram em cheio o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), integrado por México, EUA e Canadá. "Até então parecia que teríamos um NAFTA rico, expandindo-se economicamente, mas agora enfrentamos a possibilidade de ter um tipo de cadáver do NAFTA", disse, sem meias palavras, Larry Birns, do Conselho de Assuntos do Hemisfério. O principal temor dos meios econômicos é a possível destruição da imagem de confiabilidade do México, que já havia sido abalada pela revolta de Chiapas. "Se o México não for considerado um país com clima favorável aos investimentos, os investidores poderão dizer: por que não vamos para Bangladesh?", afirmou Birns (JC) (O ESP).