O Banco Mundial (BIRD) está voltando seus financiamentos apenas para países que vêm estimulando a liberalização dos mercados de telecomunicações, privatizaram ou estão em fase de desestatização das operadoras de telefonia. O banco "precisa da melhor forma possível administrar os recursos que tem", daí a nova estratégia, que está norteando a norma de atuação. Bjorn Wellnius, principal executivo da área de telecomunicações, informática, indústria e energia do banco, anunciou a estratégia ontem aos delegados de 130 países que estão presentes à primeira Conferência Mundial para o Desenvolvimento das Telecomunicações, que se realiza em Buenos Aires (Argentina). Os técnicos da instituição mostram que é tal o volume necessário de investimentos no setor para que sejam atendidos serviços básicos na Europa Oriental, América Latina, África e países da Ásia, que o capital privado tornou-se fonte fundamental para equilibrar até mesmo a oferta de telefones. Precisam de US$15 bilhões para modernizar a estrutura de atendimento, treinamento e US$40 bilhões por ano por investimentos até 1999, em centrais, sistemas de transmissão, antenas, para adquirir padrões médios de telecomunicações. Os estudos mostram, ainda, que 40% disso pode ser obtido com a própria operação de serviços já instalados, mas 50% precisa ser financiado pelo setor privado e 10% por órgãos financiadores, onde se inclui o banco. A mensagem não é exclusivamente privatista, garantiu Wellenius, referindo-se ao Brasil. "O fundamental é estimular a concorrência. Já houve tempo que 65% dos recursos necessários a investimentos podiam vir da operação dos serviços. Hoje só 40%. Apenas 20% vinha do setor privado, hoje são necessários 50%. São muitas as tecnologias e crescem as necessidades. Os países desenvolvidos avançaram muito, aumentando o gap", disse. O executivo do BIRD fez questão de destacar que não quis dizer que o Brasil precise privatizar o sistema TELEBRÁS. Mas acha que deve quebrar o monopólio. Acha que só com o Estado, tudo indica, não terá condições de suprir suas próprias necessidades. Outro ponto fundamental, para ele, é a criação de um órgão normativo isolado da operação. Não acha viável a estrutura atual da mesma empresa que cria as normas se a compradora dos produtos baseados nas normas que cria. Companhias privadas brasileiras, estatais e subsidiárias de empresas estrangeiras anunciaram no ano passado um total de US$44,9 bilhões em planos de investimento no Brasil, o maior volume dos últimos quatro anos, uma soma comparável ao Produto Interno Bruto (PIB) do Chile, de US$43,7 bilhões. Ao contrário de outros anos, as companhias estatais em 1993 foram as que anunciaram o maior montante de recursos a ser investidos, algo como US$18,1 bilhões. Foi no setor de comunicações, em particular telecomunicações e o mercado de telefonia celular, onde se concentraram as intenções de investimento (27,39% do total), seguido do segmento de equipamentos de transporte (20,95%), papel (9,98%) e alimentos (5,67%). Os dados foram computados pela consultoria Harry Somonsen, de São Paulo (GM).