CPI DA PROSTITUIÇÃO QUEBRA O SIGILO DE 46 SUSPEITOS

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Prostituição Infanto- Juvenil, da Câmara dos Deputados, aprovou ontem a quebra do sigilo bancário de mais 46 pessoas, entre as quais 14 juízes que atuam em varas da infância (13 do Rio Grande do Norte e um do Ceará), advogados, assistentes sociais, donos de creches e escrivães suspeitos de formarem um mercado de venda de adoções de crianças brasileiras para o exterior. O relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PSDB-CE), suspeita de que muitas dessas crianças são adotadas por casais estrangeiros, principalmente italianos, para serem mais tarde mortas e seus órgãos vendidos no mercado negro. Nos últimos quatro anos, quatro mil crianças brasileiras foram adotadas por casais italianos. O mafioso Aldo Dinuso (da Camorra), preso recentemente em Turim, afirmou à polícia italiana que dessas quatro mil crianças, apenas mil continuavam vivas. A Polícia Federal está investigando uma relação de 13 pessoas físicas e jurídicas beneficiárias de cheques emitidos pelo juiz Carlos Roberto Coelho Maia, do Rio Grande do Norte, um dos principais suspeitos do esquema de venda de ações, além de 22 processos de adoções suspeitas. Outra lista sob investigação da PF é formada por quatro beneficiários de cheques do escrivão João Batista Guilherme Caldas, outro envolvido no esquema de venda de adoções. No final de janeiro, a CPI já aprovara a quebra do sigilo bancário de 35 pessoas. A CPI pretende votar o relatório final nos dias 11 e 12 de abril (O Globo).