O PROTESTO CONTRA O PLANO ECONÔMICO DO GOVERNO

Governo, empresários e trabalhadores avaliaram de forma radicalmente diferente os resultados e os próprios objetivos do dia nacional de greves, passeatas e manifestações contra as perdas salariais provocadas pelo plano econômico do ministro Fernando Henrique Cardoso (Fazenda). O ministro do Trabalho, Walter Barelli, disse ter visto as "manifestações de protesto localizadas" ocorridas ontem como ato de insatisfação extensivo também à revisão constitucional. Os empresários vincularam o movimento ao esforço político para mudar a Medida Provisória 434 e negaram que ele tenha afetado a produção industrial. Já para as centrais sindicais, os atos realizados em todo o país superaram as expectativas, segundo avaliação de seus dirigentes, e ontem mesmo produziram os primeiros efeitos. Na base metalúrgica de São Paulo, controlada pela Força Sindical, duas empresas-- Stilrezest e Aro Estamparia--, com 300 empregados, concederam reajustes de 36,53%, que serão adicionados aos salários em cinco parcelas. Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT) também houve surpresas. As paralisações em montadoras de veículos, por exemplo, previstas para durar de uma a duas horas, acabaram se estendendo por mais que o dobro do tempo. Para o presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), Francisco Canindé Pegado, as manifestações serviram para aumentar a mobilização caso as centrais julguem necessário manter os protestos. O Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro informou que a greve de advertência da categoria, de 24 horas, iniciada ontem, contra a revisão constitucional e o plano econômico, teve a adesão de 14 das 21 regiões do país, onde o setor opera. Não houve, porém, paralisação da produção. Também no Rio de Janeiro, os funcionários do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) entraram em greve, por causa dos baixos salários. Cerca de 15 mil servidores públicos federais aderiram à paralisação de ontem em todo o país. Em Brasília (DF), cerca de nove mil pessoas fizeram passeata contra o plano econômico. No Estado de São Paulo, a paralisação atingiu um total de 200 mil trabalhadores (O ESP) (FSP) (O Globo).