CNBB LANÇA DOCUMENTO COM CRÍTICAS AO CONGRESSO NACIONAL

Em documento de 119 páginas intitulado "Brasil: alternativas e protagonistas", no qual apresenta suas propostas para a crise político- social, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) combate a revisão constitucional e critica o Congresso Nacional pela demora na punição aos políticos acusados de corrupção pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento. O documento foi redigido antes do aumento de salário autoconcedido pelos deputados, senão teria um tom ainda mais duro, admitem lideranças da Igreja Católica. O documento será entregue, posteriormente, aos candidatos à Presidência da República. Segundo a hierarquia da Igreja Católica, as Indefinições e protelamentos" dos processos de cassação deixaram no ar "dúvidas sobre a vontade política do Congresso Nacional de punir os que praticaram comprovadas corrupções". De acordo com a CNBB, "os permanentes recuos da Justiça em relação aos envolvidos nos esquemas de corrupção organizados por Collor e PC Farias aprofundam a dúvida da população sobre a idoneidade ética das instituições públicas para passar o país a limpo". Ao criticar a revisão constitucional, a Igreja Católica considera que a decisão do Congresso de "arvorar-se em verdadeiro Congresso Constituinte, desprezando a vontade de setores expressivos da sociedade", é outro indício "da falência ética da maioria das elites". Na avaliação da CNBB, ao acatar propostas de emendas que poderão modificar toda a atual Constituição "atendendo a pressões de lobbies do governo federal, dos militares, empresários nacionais e internacionais"-- apoiados ainda por órgãos como o Fundo Monetário Internacional (FMI)--, o relator da revisão, deputado Nelson Jobim (PMDB-RS), "está procurando garantir a institucionalização das propostas do neoliberalismo". Diante de um quadro considerado "desolador", a Igreja conclui que "resta a perspectiva de uma revanche". Ou seja: "Usar o voto para julgar politicamente os congressistas e governantes que traem o mandato popular, constituindo governos e congressos capazes de mudar o que for necessário para promover os direitos e satisfazer as necessidades da maioria dos cidadãos". Em suas propostas para a crise, o documento da CNBB coloca como exigências fundamentais a reforma agrária e uma Inversão de prioridades" que garanta saúde, educação e moradia para toda a população. "Sem reforma agrária não haverá uma democratização da propriedade no Brasil", diz dom Demétrio Valentini, bispo de Jales (SP), responsável pela Pastoral Social da CNBB (JB).