Mulheres de mais de 20 anos, desempregadas ou sem condições financeiras, abandonadas pelo companheiro ou inseguras quanto à reação familiar. Esse é o perfil da mãe que decide encaminhar um filho para doação, segundo pesquisa realizada pela professora Yolanda Maria Freston, da Universidade de Campinas (Unicamp). O trabalho, baseado em 58 casos de doação de recém-nascidos atendidos pelo Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) da universidade, revelou que, embora a situação econômica seja preponderante, a ausência de respaldo emocional tem forte peso na decisão da mulher em dar seu filho. A pesquisa revelou que três em cada quatro mulheres alegam dificuldades econômicas mas, na maioria dos casos, existe uma vinculação entre a falta de recursos e o abandono do recém-nascido pelo pai ou inexistência de apoio da família da mãe. Quatro mulheres alegaram rejeição à criança. Outras quatro disseram que a rejeição devia-se ao fato de o filho ser fruto de estupro. Pioneiro na preocupação de manter o filho junto à mãe, o Juizado da Infância e Adolescência de Porto Alegre (RS) criou em 1991 um programa visando a manutenção do vínculo. Antes de entregar o filho à doação, a mulher entra em contato com uma equipe de profissionais, que procura ajudar a resolver o problema que motivou a decisão. "Quando o motivo da doação é exclusivamente material, quase sempre a mãe é auxiliada na busca de ocupação e metade desiste de entregar o filho", explica a assistente social Maria Josefina Becker (O ESP).