FÓRUM DO TRABALHO ESVAZIADO

O secretário de Trabalho do Distrito Federal e vice-presidente do Fórum Nacional dos Secretários de Trabalho, Renato Riella, denunciou ontem o esvaziamento, por parte da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e de duas das principais centrais sindicais-- Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT)-- da Conferência Nacional do Trabalho, aberta, em Brasília (DF), pelo ministro do Trabalho, Walter Barelli. Segundo o secretário, a não participação dessas entidades demonstra que elas estão satisfeitas com a fatia de poder que hoje já detêm e que não querem mudanças nas relações trabalhistas. O ministro Barelli discordou da opinião de Riella. Segundo ele, a Conferência Nacional do Trabalho, que busca uma alternativa democrática para as relações entre capital e trabalho no país e que pode ser o embrião do contrato coletivo de trabalho, conta com a representação tanto do governo, quanto da sociedade civil e de empregadores e trabalhadores. Temos até o momento 284 participantes, sendo 77 do governo, 37 dos
78845 empregadores, 48 dos trabalhadores e 41 da sociedade civil. Mais 72 são
78845 observadores nacionais e nove internacionais. O ministro explicou que a CNI não está participando diretamente, mas que encaminhou para a Conferência a sua posição sobre a questão. O empresário brasileiro, o chamado moderno, se atem apenas a aumentar o
78845 lucro e a produção de sua empresa. A estratégia dos empresários hoje é
78845 reduzir ao mínimo o número de empregados. O melhor candidato à
78845 Presidência da República será aquele que apresentar um projeto de pleno
78845 emprego para o país, afirmou o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, na abertura da Conferência. O ministro do Trabalho afirmou também que o país não pode mais se dar ao luxo de só olhar para as categorias organizadas. E lembrou que dos 66 milhões de pessoas da população economicamente ativa, apenas 24 milhões estão na economia formal e que, destes, só 7% são sindicalizados. "O governo quer trabalhar com os excluídos. Épor isso que temos representantes da Igreja, da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e de outras entidades discutindo as relações de trabalho e desemprego. Não podemos ficar esperando as entidades organizadas fazerem alguma coisa. Do ponto de vista governamental, é possível dizer que a Conferência foi um sucesso", afirmou Barelli (JC) (O Globo).