GRUPO DO RIO QUER DEFINIR AGENDA COM OS EUA

Os treze países da América Latina e do Caribe que formam o Grupo do Rio, foro de consultas políticas criado em 1986, estão avaliando desde ontem, em Brasília (DF), um novo papel para a região no contexto mundial. Os chanceleres discutiram um documento sobre "Pobreza, Marginalidade e Desemprego", preparado por técnicos de vários governos e da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), que será encaminhado à conferência das Nações Unidas este ano, em Copenhague. O chanceler venezuelano, Miguel Angel Burelli Rivas, observou que "as migrações internas e externas nos países contribuíram para a formação de bolsos de miséria nas grandes cidades". Ele se referiu aos 60 mil cidadãos da Guiana e da Venezuela que vivem em Caracas e se dedicam especialmente à economia informal. Alguns dos principais temas da reunião de chanceleres do Grupo do Rio, ontem, foram a preparação do encontro com os ministros das Relações Exteriores da União Européia (UE), dias 22 e 23 de abril, no Parlamento Latino Americano, em São Paulo, e a análise da proposta do presidente dos EUA, Bill Clinton, para uma conferência de cúpula hemisférica, em Miami, no mês de dezembro. A Argentina já está reagindo à convocação de Clinton. Segundo o vice- chanceler argentino, Fernando Petrella, Buenos Aires está elaborando uma resposta "ao ponto de vista norte-americano". O presidente boliviano, Gonzalo Sánchez de Losada, afirmou ao vice- presidente dos EUA, Al Gore, em sua passagem por La Paz no último final de semana, o desejo de que a conferência hemisférica "discuta os grandes temas dos próximos anos, como a integração hemisférica, o acesso ao NAFTA, democracia e desenvolvimento sustentável", disse ontem o chanceler da Bolívia, Antonio Araníbar Quiroga. Os chanceleres do Grupo do Rio querem participar da definição da agenda da conferência. Os chanceleres do Grupo do Rio-- estiveram ausentes os da Colômbia, Peru, Equador e Argentina-- também aprovaram o calendário de eventos para este ano. Além do encontro com a UE, a chamada "troika" do Grupo do Rio (formada pelos chanceleres do Chile, do Brasil e do Equador) receberá na semana de 11 de julho o ministro das Relações Exteriores do Japão (GM).