Pouco mais de três décadas depois de romperem relações com os cubanos, os norte-americanos continuam repetindo denúncias e prognósticos que, na verdade, já se tornaram falsos. Um estudo feito ao longo de 18 meses pelo Inter-American Dialogue (IAD), centro privado de pesquisas político- econômicas sediado em Washington, mostra que o governo dos EUA está sendo no mínimo injusto ao desconsiderar uma série de avanços feitos pelo governo de Fidel Castro. Ironicamente, dezenas de ex-diretores do IAD fazem parte hoje do primeiro time de conselheiros do presidente Bill Clinton. Entre eles está o próprio responsável pela política externa, secretário de Estado, Warren Christopher, e o assessor especial para a América Latina no Conselho de Segurança Nacional, Richard Feinberg. O estudo, feito por analistas que estiveram em Cuba entrevistando autoridades locais, foi entregue recentemente a Clinton. Ele acentua seis pontos essenciais que a Casa Branca deveria rever. Cada um deles diz respeito à falsas percepções dos norte-americanos: 1) "Fidel Castro jamais negociará": segundo o documento do IAD, isso não é verdade. No fim dos anos 80, o governo cubano "negociou séria e efetivamente a volta de seus soldados enviados à África". 2) "O governo de Fidel não pagará compensação por propriedades que confiscou": de acordo com o IAD, "o governo cubano já fez acordos com todos os governos estrangeiros afetados por isso, menos com os EUA", que evita o diálogo. 3) "Fidel é inimigo jurado do capitalismo mundial": assinala o documento: Apesar de suas preferências ideológicas, no início dos anos 90 o
78824 governo de Castro se abriu para investimentos estrangeiros diretos em Cuba
78824 em termos bastante favoráveis. 4) "Fidel Castro é rigidamente dogmático em assuntos econômicos e tem profunda alergia aos mercados": o IAD diz que o governo cubano tem demonstrado um forte pragmatismo. Na opinião de seus analistas o dogmatismo econômico de Fidel Castro foi substituído por uma
78824 surpreendente flexibilidade. 5) "Cuba não honra acordos internacionais": isso deixou de ser verdadeiro desde os fins dos anos 80, quando Cuba retirou suas tropas de Angola, chamou de volta seus enviados à Nicarágua e parou de armar El Salvador, cumprindo compromissos internacionais, diz o IAD. 6) "O isolamento internacional de Cuba é total": com exceção de Israel, Romênia e dos EUA, os demais países mantêm relações amistosas com Cuba, assinala o estudo (O Globo).