Primeiro foi a festa: inflação despencando, volta do crédito, crescimento da produção industrial. Três anos depois, os argentinos caíram na real. Defasagem cambial, déficit comercial e aumento do desemprego são os obstáculos que o ministro da Economia, Domingo Cavallo, enfrenta agora. Estes são problemas que, em maior ou menor grau, o Brasil poderá enfrentar quando o real entrar em vigor. Com o plano do ministro Cavallo, que dolarizou a economia, a inflação se mantém entre 0,1% e 0% desde outubro do ano passado. Mas os preços subiram 50,3% desde 1o. de abril de 1991 e um dólar continua valendo um peso. Os salários nem de longe acompanharam essa variação, já que a indexação é proibida por lei. A defasagem cambial tornou o custo de vida altíssimo. Não se compra um sapato em Buenos Aires por menos de US$30, não se aluga um apartamento por menos de US$300, não se toma um cafezinho por menos de US$1,5. O déficit da balança comercial acumula US$5,3 bilhões nos últimos dois anos, muitas fábricas foram fechadas e a taxa de desemprego, de 9,6%, é recorde em 20 anos. O país tornou-se alvo de investimentos estrangeiros de US$10 bilhões ao ano nos últimos dois anos mas a "revolução produtiva" prometida pelo presidente Carlos Menem é ironizada pelos moradores de Buenos Aires. Ainda assim, nosso vizinhos estão seguros de que o fim da inflação é uma conquista maior do que qualquer problema (JB).