A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o órgão máximo da Igreja Católica no país, vai convidar os candidatos à Presidência da República para uma sabatina a respeito dos programas de cada um. No encontro, previsto para o dia 29 de julho, em Brasíli (DF), os bispos também apresentarão aos candidatos um documento com as propostas que consideram urgentes para livrar os brasileiros da crise política e econômica. De acordo com a CNBB, não bastam mais denúncias e lamentações sobre os problemas do país: o desafio agora é encontrar saídas globais e viáveis. o esboço do documento a ser entregue aos candidatos, abordando grandes temas nacionais, como reforma agrária, dívida externa, educação, saúde e MERCOSUL, está sendo redigido em Brasília. Na introdução e nos capítulos que já estão prontos, os autores católicos deixam clara sua preocupação com os marginalizados e os excluídos da cidadania no Brasil. O que desejam é um modelo econômico regulado éticamente, ou seja: "Uma economia que priorize o social". Não se deve entender, porém, que a CNBB esteja pregando o socialismo, ou o crescimento da máquina estatal. Pelo contrário. Segundo o bispo dom Demétrio Valentini, que coordena a redação do documento, a Igreja defende a idéia de um Estado mais enxuto que o atual. Ela acha, por exemplo, que deveriam ser extintas as estatais da área de telecomunicações. "O Estado deveria permanecer nessa área apenas com o papel regulador", afirma. A CNBB também não quer ser identificada com nenhum partido ou candidato. Os evangélicos também estão preocupados com as próximas eleições. O assunto foi um dos principais temas da primeira conferência nacional da Associação Evangélica Brasileira (AEVB), realizada esta semana, no Rio de Janeiro (RJ). No encontro, representantes de quase 100 instituições religiosas de todo o país decidiram lançar, no segundo semestre, uma cartilha ilustrada, orientando os evangélicos a respeito do processo eleitoral. A edição terá um milhão de exemplares. "Queremos alertar as pessoas sobre o compromisso ético do voto, ajudando-as a escolher os candidatos à luz da Bíblia, que prega a liberdade de consciência e a justiça social", diz o presidente da AEVB, o reverendo Caio Fábio DAraujo Filho, da Igreja Presbiteriana. De acordo com cálculos da AEVB, existem no Brasil cerca de 30 milhões de evangélicos, agrupados em torno de centenas de igrejas. A AEVB reúne as principais, como a Luterana, Presbiteriana, Independente e a Assembléia de Deus (O ESP).