O encarregado de negócios dos EUA em Brasília (DF), Marc Lore, foi ontem ao Itamaraty, formalmente, para dizer que seu governo lamenta a intervenção feita por sua delegada na Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra (Suíça), comparando o Brasil ao Sudão, "onde crianças vagueiam em busca de comida e são, às vezes, caçadas por esporte ("hunted for sport"), sem que as autoridades a isso se oponham". Recebido pelo secretário-geral interino do Itamaraty, embaixador Fernando Reis, o encarregado de negócios norte-americano entregou-lhe o que em linguagem diplomática chama-se um "non-paper", explicando que o discurso da delegada dos EUA não havia sido aprovado, previamente, pelo Departamento de Estado. E acrescentou que parte da intervenção, incluindo aquela que mais protestos provocou por parte da delegação brasileira em Genebra, não representa a opinião do governo dos EUA. O gesto do governo norte-americano foi interpretado como tendente a não deixar que haja nenhum mal-entendido, que possa prejudicar o encontro entre o presidente Itamar Franco e o vice-presidente dos EUA, Al Gore, no próximo dia 21 (JB).