O comitê de bancos recomendou ontem aos mais de 800 credores internacionais do Brasil que dispensem o país de um acordo formal com o Fundo Monetário Internacional (FMI), atendendo a pedido do governo brasileiro. A comunicação abriu o caminho para que o acordo de reestruturação da dívida de US$35 bilhões seja efetivado em 15 de abril, como estava previsto inicialmente. O comitê pediu aos bancos que respondam até o próximo dia 24 se aceitam ou rejeitam o pedido de "waiver" (dispensa de cumprimento de exigência). O vice-presidente do Citibank, Willian Rhodes, disse esperar resposta positiva da maioria dos credores. Pela lei, exige-se aprovação por dois terços do número total de credores. Fontes do governo brasileiro e do comitê de bancos credores informaram que a relutância da família norte-americana Dart (que comprou cerca de 2% de papéis da dívida brasileira no mercado secundário) não impedirá a concretização do acordo. No último dia 16 o FMI negou o seu aval para o fechamento do acordo, obrigando o Brasil a apresentar sozinho, sem dinheiro de organismos financeiros internacionais, as garantias exigidas pelos bancos credores. No próximo dia 15 de abril o país deverá provar aos bancos credores que possui US$2,8 bilhões em cupons-zero (títulos do Tesouro norte-americano com prazo de 30 anos e juros zero) para garantir o acordo. Sigilosamente, o governo brasileiro já comprou, nos leilões ordinários do Tesouro norte-americano e no mercado secundário, títulos do governo dos EUA em quantidade "suficiente" para que sirvam de garantia à dívida renegociada com os bancos privados. A informação foi dada pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, ao presidente Itamar Franco, antes de sua viagem a Washington nesta semana (O ESP) (FSP) (O Globo).