Destinado a reduzir os efeitos da seca no Nordeste, o Programa de Frentes Produtivas de Trabalho será extinto no final do mês. A Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) vai recomendar à Presidência da República o fim da emergência porque as chuvas que vêm caindo regularmente no sertão, nas últimas semanas, prenunciaram um bom inverno. Segundo a autarquia, com o fim da seca, os trabalhadores estão abandonando voluntariamente as frentes de trabalho para se dedicar às plantações, em grande parte dos municípios nordestinos. O programa foi criado em maio do ano passado, depois que 500 agricultores famintos ocuparam a SUDENE e fizeram o então superintendente Cássio Cunha Lima de refém, por algumas horas. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Pernambuco (FETAPE) acha prematuro o fim das verbas, única fonte de renda para os trabalhadores que continuam alistados (meio salário-mínimo por mês, por três dias de trabalho semanal). A FETAPE consultará outras federações estaduais para firmar uma posição sobre o assunto. O governo federal chegou a pagar meio salário-mínimo por mês a quase dois milhões de trabalhadores prejudicados pela seca, segundo cálculos da SUDENE. Em 10 meses, as frentes criadas em mais de mil municípios construiu 818 quilômetros de adutoras, 4.484 quilômetros de açudes ou barragens e duas mil casas, além de perfurar 478 poços profundos. O dinheiro liberado pelo governo também "reduziu significativamente" o êxodo rural de sertanejos para outras regiões do país (JC).