CONGRESSO RECRIA SALÁRIOS DE MARAJÁS

O Congresso Nacional pôs fim ao esforço do Executivo para alcançar a equIdade salarial entre os três Poderes, ao derrubar, anteontem, dois vetos presidenciais à Lei de Isonomia. Agora, os servidores (incluindo as empresas estatais) que recebem mais do que um ministro de Estado-- teto imposto pela lei-- poderão incorporar à sua remuneração, na forma de benefícios pessoais sobre os quais incidirão os futuros reajustes, tudo o que exceder a esse limite. Na prática, os marajás que deveriam ter seus rendimentos cortados por força da lei poderão receber de volta seus altos salários. O Congresso tomou esta decisão no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados aprovou o aumento dos salários dos parlamentares em 23,66%. O Legislativo já tinha conseguido um ganho salarial de 10,9% ao converter, como o Judiciário, os seus vencimentos à Unidade Real de Valor (URV) tomando como base o dia 20 dos quatro meses anteriores e não o último do mês, como manda a lei. O ministro-chefe da Administração Federal, Romildo Canhim, autor da medida provisória que limitava os salários do funcionalismo, confessou-se desencantado e quer uma solução para o problema "ainda no campo da democracia". O ministro do Trabalho, Walter Barelli, admitiu que o plano econômico será prejudicado com as alterações feitas na lei de remuneração do funcionalismo (O Globo) (JB).