O comitê de bancos credores divulgará hoje comunicado oficial em que aceita o pedido do governo brasileiro de dispensa de um acordo "stand by" com o Fundo Monetário Internacional (FMI) como condição para concluir as negociações do refinanciamento da dívida externa brasileira de US$35 bilhões. Com isso, o acordo com os bancos deve ser assinado na data prevista, 15 de abril. Durante reunião ontem, em Nova Iorque (EUA), com o chefe do comitê de bancos, William Rhodes, o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, pediu dispensa de cumprimento da cláusula que condicionava a assinatura do acordo. "Não tenho nenhuma dúvida de que vamos assinar o acordo dia 15 de abril", afirmou Rhodes. Com a aceitação do pedido de "waiver", o governo brasileiro terá agora de usar cerca de US$2,8 bilhões de suas reservas internacionais para adquirir as garantias necessárias à rolagem da dívida. Se tivesse fechado o acordo com o FMI, o país teria ajuda financeira do Banco Mundial (BIRD), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do próprio FMI para comprar as garantias. Cardoso disse que a solução encontrada não prejudica o Brasil. "Nós vamos fazer um empréstimo para nós mesmos", afirmou. "Temos dois anos para completar as garantias (US$4,2 bilhões no total) e, até lá, o BIRD e o BID entrarão com sua parte". Rhodes disse que recebeu a garantia do presidente do Banco Central, Pedro Malan, de que o governo brasileiro terá o cupons zero (títulos do Tesouro dos EUA) necessários para oferecer no ato de assinatura do acordo de renegociação com os bancos (O ESP).