O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, sofreu inesperada decepção, em Washington (EUA), onde chegou ontem especialmente para ouvir do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, o sim ao acordo "stand by" com o governo brasileiro. Camdessus disse, porém, que o acerto com a instituição somente poderá ocorrer-- provavelmente-- depois da implantação do real, a nova moeda. Como agrado ao ministro, o diretor-gerente do Fundo disse apoiar os esforços de Cardoso para estabilizar a economia e ressaltou a existência de "progressos significativos" no combate à inflação. O ministro da Fazenda disse que o adiamento da aguardada concessão do stand by do Fundo "foi uma decisão conjunta do governo brasileiro e do FMI". E acrescentou: "Não queremos neste momento estar definindo metas de curto prazo. Ter flexibilidade é mais consistente com a política que estamos seguindo nesta segunda fase do nosso plano. Por exemplo, o dia da introdução do real. Não queremos determinar isso agora. Um programa tipo stand by, com acompanhamento permanente do cumprimento das metas, exige a explicitação dos passos seguintes". O ministro Fernando Henrique vai propor hoje aos banqueiros em Nova Iorque a finalização do acordo de reestruturação da dívida brasileira, marcada para 15 de abril próximo, mesmo sem o necessário empréstimo "stand by" do FMI, que avalizaria o programa econômico brasileiro. A concessão do empréstimo, no acordo com os bancos assinado a 28 de novembro, em Toronto (Canadá), é condição para que os títulos da dívida nova, com vencimento final no ano 2024, substituam os títulos antigos. Por motivos políticos, os bancos tendem a aceitar a nota de apoio do FMI como garantia suficiente (JC) (GM).