O Paraguai e a Bolívia vão beneficiar-se diretamente com a redução de até 90% no custo do frete das exportações para os países do MERCOSUL depois que passarem a utilizar o sistema hidroviário dos rios Tietê e Paraná, no interior paulista. Com a inauguração das eclusas de Três Irmãos, ontem, no Município de Pereira Barreto (SP), o rio Tietê tornou-se inteiramente navegável e isso começa a se refletir nas negociações bilaterais entre os países da região. "Com o novo sistema de transporte, poderemos reduzir de US$120 para US$20 o preço do frete de uma tonelada de soja que sai de Santa Cruz de La Sierra e chega a São Paulo", disse o presidente boliviano, Gonzalo Sanchez de Lozada, a seu colega paraguaio Juan Carlos Wasmosy, durante a cerimônia de inauguração das obras. Wasmosy lembrou que para o Paraguai essa diferença será um pouco menor em virtude das distâncias percorridas, mas que o sistema de transporte hidroviário deve reduzir de US$30 para US$9 o preço do frete por tonelada. Hoje, as exportações de grãos, minerais, carnes, óleos e madeiras desses países são feitas principalmente por via terrestre. A inauguração das eclusas de Três Irmãos faz parte de um antigo projeto de construção pelo governo paulista do sistema hidroviário Paraná, cuja meta é implantar 5,8 mil quilômetros de hidrovias, incluindo os rios Tietê, Paraná, Uruguai e Paraguai, para que toda a região que compreende os países do MERCOSUL possa estar interligada por rios navegáveis. Por enquanto, apenas o rio Tietê é inteiramente navegável. Nas obras das eclusas de Três Irmãos foram gastos US$70 milhões. O atual trecho navegável da hidrovia é de pouco mais de mil quilômetros. A previsão até outubro, quando devem ser inauguradas as eclusas de Jupiá, é de que 2,4 mil quilômetros da hidrovia estejam em condições de receber as barcaças, que vão escoar a produção não só dos quatro países integrantes do MERCOSUL mas também da Bolívia, através do rio Paraguai (GM) (O ESP).