A Polícia Federal decidiu ontem abrir inquérito para investigar supostas irregularidades praticadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) no mercado financeiro e pode pedir a quebra do sigilo bancário da entidade. O inquérito foi instaurado com base em representação do vice-líder do PPR na Câmara dos Deputados, Armando Pinheiro (SP), que encaminhou à polícia cópia de um cheque no valor de US$1.930,00 emitido em 27 de maio de 1992 pela International Confederation of Free Trade Unions (Confederação Internacional de Organização de Sindicatos Livres), com sede em Bruxelas, na Bélgica. Endossado pelo presidente da CUT, Jair Meneguelli, e por um ex-tesoureiro da entidade, Delúbio Soares de Castro, o cheque foi descontado no mercado paralelo, segundo a denúncia do parlamentar. Meneguelli e Castro serão intimados nos próximos dias a depor no inquérito, que está sob a responsabilidade do delegado Mário José Grachet, da Delegacia Fazendária da Polícia Federal. Como a legislação brasileira exige que as contribuições vindas do exterior sejam notificadas ao Banco Central, a polícia requisitará na Justiça a quebra do sigilo bancário da CUT, caso o procedimento não tenha sido observado. Segundo o deputado Armando Pinheiro, o cheque não chegou à CUT e não consta da contabilidade da organização sindical. O vice-líder do PPR na Câmara também anexou à representação documentos denunciando que recursos provenientes de operações no mercado paralelo foram depositados em setembro de 1992 em conta bancária do Comitê Unificado do Partido dos Trabalhadores (PT), que arrecadou fundos para a campanha do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) à prefeitura de São Paulo (SP). Como exemplo, o parlamentar citou um depósito equivalente a US$11.700,00 feito pelo economista Paulo Haddad, que ele classificou como "doleiro". Para apurar essa denúncia, o delegado Grachet pretende inicialmente localizar Haddad, pois existe a possibilidade de tratar-se de uma doação regular para a campanha política-- realizada por pessoa física e dentro dos limites previstos pela legislação (O Globo).