Pelo menos 50 mil habitantes da segunda maior cidade mexicana-- Guadalajara-- alimentam-se diariamente de sobras recolhidas em mercados públicos e reunidas no Banco da Fome, uma instituição formada por iniciativa de comerciantes locais com a ajuda da organização religiosa Caritas. São frutas, legumes e verduras maduros demais para serem comercializados, mas ainda em perfeito estado. Em fevereiro, foram aproveitadas cinco toneladas, que iriam para o lixo. A cada dia se desperdiça uma quantidade estratosférica de alimentos. Há
78699 comida para todos, mas muito mal aproveitada e distribuída, afirmou o porta-voz dos comerciantes, Luis González Miramontes. O Banco da Fome foi criado em 1991 e já conta com 150 mil associados. "O objetivo é ajudar instituições que atendam meninos de rua, idosos e jovens com problemas de drogas e alcoolismo, além de lavar alimentos aos cinturões de miséria, às zonas marginalizadas", explicou. Como as verdadeiras instituições financeiras, o Banco da Fome ampliou sua busca nos centros comerciais de Guadalajara, que anualmente jogam fora 100 toneladas de alimentos. Para diversificar a dieta, eles têm a ajuda de indústrias. Na Cidade do México, uma das maiores metrópoles do mundo, com 20 milhões de habitantes, o Banco da Fome se prepara para coletar e distribuir 40 toneladas de alimentos, menos de 10% do que é jogado fora diariamente na central de abastecimento da capital mexicana. "Há um desperdício diário de 600 toneladas de alimentos em bom estado e a cada dia morrem umas 250 crianças por falta de comida", afirmou Rosa María Cortez, diretora do Banco da Fome (JB).