O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, anunciou ontem que o governo vai adotar programas de caráter social quando for emitida a nova moeda, o real, e o país tiver inflação zero, na quarta fase do plano econômico. Ele confirmou a existência de um estudo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para criação de um novo programa popular que prevê uma política de distribuição de rendas. Contrário às alterações que vêm sendo sugeridas à Medida Provisória no. 434, que criou a Unidade Real de Valor (URV), Fernando Henrique negou perdas nos salários pela conversão média dos últimos quatro meses e se mostrou contrário à criação de um gatilho salarial. "Gatilho é coisa de bandido", disse o ministro, admitindo que as remarcações excessivas podem adiar a criação do real. A próxima fase do plano ainda é uma incógnita para os economistas Mário Henrique Simonsen e Maria da Conceição Tavares. O ex-ministro questiona como será feito o lastreamento do real, enquanto Conceição sugere o controle de preços da cesta básica e dos preços oligopolizados. O governo tem pronta e pode editar a qualquer momento uma medida provisória que determina a prisão administrativa de até 120 dias para empresários que aumentarem abusivamente os preços. A medida inclui o fechamento do estabelecimento pelo tempo que durar a prisão do responsável pela remarcação. Esta foi a solução encontrada para criar um instrumento eficaz no combate à alta dos preços, contornando o impedimento jurídico que proíbe a imposição de sanções penais através de medida provisória (JB) (O Globo).