LIVRO REÚNE TEXTOS SOBRE A AIDS NO BRASIL

O custo hospitalar de um paciente de AIDS no Brasil é de US$17 mil, oito vezes mais que a média do custo na América Latina. O tempo de internação é de 23,6 dias, o dobro dos EUA. Entre a descoberta da doença e a morte, o doente no Brasil vive, em média, 5,1 meses. Na Europa e nos EUA, a sobrevida é de 12 meses. Estas são algumas das informações que constam do livro "A AIDS no Brasil", que acaba de ser lançado pela ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS), a UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e a editora Relume Dumará. Trata-se do segundo volume da coleção História Social da AIDS-- o primeiro foi "A AIDS no Mundo". Segundo Richard Parker, um dos organizadores do livro, a "AIDS no Brasil" não é uma síntese homogênea da doença no país. Mas uma reunião de textos que "tentam analisar e interpretar questões relacionadas à AIDS no Brasil" entre os anos de 1982 a 1992. São 15 análises ou artigos que tratam da epidemiologia da doença, do impacto social da epidemia e das políticas públicas. O livro termina com uma proposta para um programa de AIDS no Brasil, do sociólogo e presidente da ABIA, Herbert de Souza, o Betinho. Euclides Castilho, Pedro Chequer e Cláudio Struchniner, que tratam da epidemiologia da AIDS, escrevem que o número de portadores do vírus entre a população de 15 a 45 anos é estimado entre 300 mil e 420 mil (seguindo modelo da Organização Mundial de Saúde-- OMS). O sociólogo Osvaldo Ribas Fernandez, que entrevistou dezenas de usuários de drogas ao longo de dois anos, observa que-- ao contrário do que se acredita-- esta população é sensível a campanhas de prevenção. O economista André Cezar Médici, da Fundap (Fundação do Desenvolvimento Administrativo), contabiliza os impactos sócio-econômico da AIDS no país. Segundo ele, quando a epidemia atingir 0,6% da população brasileira em idade ativa, haverá uma perda de US$2,7 bilhões anuais (FSP).