O programa de governo do Partido dos Trabalhadores (PT) já está causando polêmica. O documento de 112 páginas, a ser lançado oficialmente hoje, preocupa a Igreja Católica, por causa de três propostas: a regulamentação do aborto, o casamento civil de homossexuais e a garantia a todas as mulheres de acesso a métodos anticoncepcionais. Caso Luís Inácio Lula da Silva chegue à Presidência da República, terá que enfrentar fortes resistências dos católicos. A Igreja não admite o aborto em hipótese alguma e será contra a
78676 execução desse item do programa, adverte o porta-voz da Arquidiocese de São Paulo, monsenhor Arnaldo Beltrami. A reação também deve ser forte à proposta de legalização da união de homossexuais. "A Igreja já é completamente contra esse tipo de casamento. É uma questão biológica, uma lei genética. O casamento dá a garantia para um casal ter filhos e possibilitar sua segurança e construção pessoal", observa monsenhor Arnaldo. No caso dos anticoncepcionais, o porta-voz da arquidiocese ressalta que a Igreja propõe métodos de controle da natalidade "desde que sejam naturais e não artificiais". O PT condena em seu programa a discriminação contra homossexuais e cita que, nos últimos 10 anos, 1.200 pessoas foram assassinadas no país por causa de sua opção sexual. Entre outras propostas, o partido defende iniciativas de modificações legais, que garantam "os direitos dos casais homossexuais no que diz respeito ao contrato de união civil, previdência social, partilha de bens e herança" (JB).