Cortes no orçamento do Ministério da Saúde-- de US$14 bilhões para US$9 bilhões em 1994-- estão pondo em risco o programa nacional de AIDS para os próximos três anos. No próximo dia 17, o Ministério da Saúde assina com o Banco Mundial (BIRD) um empréstimo de US$250 milhões que vai financiar todas as ações de prevenção e combate à AIDS até 1996. Até agora, o Ministério não tem a contrapartida de US$90 milhões nem iniciou todos os programas prometidos ao BIRD. Se o governo não cumprir sua parte, pagará juros por um empréstimo ao qual não terá acesso e o programa de AIDS será paralisado. As consequências já foram contabilizadas pelo Ministério: de 1993 a 1995, serão 85 mil novos casos da doença e 85 mil mortos pela AIDS; despesas hospitalares consumirão US$875 milhões. "Se o programa não for colocado em prática, não posso responder pelo que ocorrerá com a epidemia no país", disse Lair Guerra de Macedo, responsável pelo programa de AIDS no Ministério da Saúde. O Ministério da Fazenda informou que os cortes no orçamento atingiram todos os ministérios e que a escolha dos programas afetados coube a cada ministro. Segundo o ministro da Saúde, Henrique Santillo, os cortes prejudicarão todas as áreas. O orçamento, já reduzido, ainda não foi votado pelo Congresso Nacional. É possível que seja diminuído ainda mais. Já está faltando dinheiro para iniciar convênios em AIDS assinados no ano passado com quatro estados e nove municípios. Os convênios são condições de efetividade para que o empréstimo do Banco Mundial seja assinado (FSP).