CONTRATO COLETIVO DE TRABALHO PODE NÃO SAIR DO PAPEL

O contrato coletivo de trabalho-- antiga bandeira do movimento sindical-- está ameaçado de não sair dos livretos de resoluções de congressos de várias categorias e de pautas de reivindicações das centrais sindicais. Desde a edição do plano econômico, há um movimento de oposição à adoção do contrato, neste momento, por alguns setores do sindicalismo, que desconfiam do que consideram uma súbita disposição do governo em mudar as relações entre capital e trabalho. O ministro do Trabalho, Walter Barelli acabou contribuindo para esta interpretação: ao mesmo tempo que ele fala em contratação coletiva, avisa que ficará contra a criação de uma política salarial após a criação da moeda real. "Não apoiarei mecanismos indexadores num momento de estabilização da economia", diz. E aponta o contrato como saída para regular salários. Em caso de rejeição do plano econômico pela sociedade, o governo tem pelo menos um instrumento para proteger salários: a continuidade da existência da Unidade Real de Valor (URV) como indexador, por até 360 dias, como prevê a Medida Provisória no. 434. A observação é do ministro Walter Barelli, embora nem ele mesmo cogite a possibilidade de fracasso nessa fase, com consequ"ente adiamento da criação do real. Barelli diz que o movimento sindical, hoje preocupado com a falta de uma política salarial para fazer frente à possível inflação em real, pode ficar tranquIlo. "O real só pode chegar como uma moeda forte num sistema de inflação baixíssima", disse. "Enquanto houver a URV o trabalhador estará no melhor dos mundos, com correção diária de salários". Ele lançou a bandeira do contrato coletivo de trabalho como um substituto de políticas salariais, que provocam indexação da economia. Começa a enfrentar resistência, por causa das eleições e da oposição ao plano, mas avisa que não vai desistir (O ESP).