A Baía de Guanabara transformou-se, na manhã de ontem, no palco de uma manifestação inédita. Navios, barcas, veleiros, lanchas, iates e pequenas canoas percorreram um dos mais belos símbolos da cidade do Rio de Janeiro em "naviata" a favor do reerguimento do setor naval fluminense. A campanha Estamos Todos no Mesmo Barco, promovida pelo movimento Viva Rio, em conjunto com sindicatos e associações do setor, quer chamar a atenção da sociedade e das autoridades federais para a urgência de se manterem os empregos nos estaleiros do Rio, Niterói e Angra dos Reis, e para a abertura de novas oportunidades de trabalho. O corte de 52% no Fundo de Marinha Mercante (FMM)-- responsável pelo financiamento da construção naval--, feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, poderá deixar 7.800 dos 13 mil trabalhadores da indústria naval desempregados. A medida foi o estopim da campanha que culminou na "naviata" de ontem, quando cerca de 50 embarcações-- com quase sete mil pessoas-- partiram da Praça 15 e atravessaram a Baía de Guanabara até a praia de Icaraí, em Niterói. Três barcas transportaram os funcionários de estaleiros e suas famílias. No meio do percurso, todas as embarcações acionaram as sirenes, promovendo um grande apitaço. Um dos convidados principais da lancha-madrinha Jaçanã-- em que viajaram a coordenação do Viva Rio, sindicalistas, empresários e políticos--, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, não pôde embarcar, devido a um pequeno corte no rosto que, por ele ser hemofílico, não cicatrizou. Em terra, no Aterro do Flamengo, cerca de 500 pessoas deram-se as mãos, num abraço simbólico à Baía de Guanabara. Hoje, os deputados federais do Rio se reúnem com a coordenação do Viva Rio e representantes do setor naval, para articular uma audiência com o presidente Itamar Franco e com o ministro Fernando Henrique, para reivindicar a restituição dos recursos do FMM (O Dia) (O Globo) (JB).