A viagem à Argentina do vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, e a visita ao Brasil do subsecretário americano para a América Latina, Alexander Watson, agora em março, fazem parte de uma tentativa da Casa Branca de enfraquecer o Mercosul. Gore e Watson desembarcaram em solo latino-americano empenhados em atrair os países do continente ao Nafta-- Tratado de Livre Comércio entre Estados Unidos, México e Canadá. Aliás, não é outro o espírito do Plano Al Gore, que Watson traz na pasta para apresentar ao presidente Itamar Franco. A aproximação da América Latina ao Nafta automaticamente reduziria o poder de fogo da Comunidade Européia, que deixaria de ser o maior bloco em número de consumidores e, consequentemente, perderia a posição de ser o maior importador de matérias-primas latino-americanas, liderança que os EUA querem recuperar. E, de carona, neutralizaria a influência comercial do Japão na região. A estratégia dos EUA para alcançar esse objetivo já foi traçada. A Casa Branca está disposta a pressionar o Banco Mundial a financiar projetos que gerem empregos e investimentos nas áreas de habitação, saúde e meio ambiente, em parceria com a ONGs, para reduzir a violência e a miséria, em troca da adesão dos países do continente ao Nafta. Uma espécie de Plano Marshall para os que ficam ao Sul do Equador (Relatório Reservado no.1403).