Eduardo Frei Ruiz Tagle, de 51 anos, assumiu ontem a Presidência do Chile em meio a louvações à democracia-- previsíveis, em se tratando do segundo presidente eleito democraticamente depois de 17 anos de ditadura militar chefiada pelo general Augusto Pinochet. Mas um valor algo mais tangível (US$1 bilhão) flutuava sobre o Congresso chileno. Essa verba está reservada pelo novo governo para investir em infra-estrutura. É esse um dos principais instrumentos para que o presidente Frei cumpra a sua promessa, reiterada ontem pela enésima vez, de transformar a luta contra a pobreza em "primeira prioridade" de seu governo. Na oposição de esquerda, no entanto, a visão é pessimista. "Não haverá mudança alguma de fundo", prevê Jaime Insunza, da Comissão Política do Partido Comunista. Insunza refere-se em especial às instituições chilenas, ainda permeadas da herança do autoritarismo, na forma de senadores "biônicos" e de um Exército como poder à parte, subordinado não ao presidente, mas ao seu comandante-em-chefe-- que continua sendo Pinochete, até 1997. O general foi à posse, mas não chegou a roubar a cena-- que pertenceu menos a Frei e mais a Patrício Aylwin, que deixou o cargo aplaudido da direita até setores da esquerda, por seu papel na transição. Essa foi a primeira vez em 40 anos que um chefe de Estado transmitiu o cargo para um político do mesmo partido-- os dois pertencem ao Partido Democrata Cristão-- e a quinta vez que um filho de ex- presidente assume o poder no Chile (FSP) (JB).