EX-DITADOR BOLIVIANO É PRESO EM SÃO PAULO

O ex-ditador militar boliviano, ex-general Luís García Meza, de 62 anos, condenado a 30 anos por genocídio, assassinato e desaparecimento de políticos, violação à Constituição e aos direitos humanos e apropriação indébita de recursos públicos foi preso ontem de manhã por agentes da Delegacia de Entorpecentes da Polícia Federal no bairro do Campo Belo, zona sul de São Paulo (capital), onde morava desde março do ano passado. Meza estava foragido desde 1988. Junto com ele os federais prenderam o coronel da reserva da Bolívia, Gualberto Rico Rasmussen, de 56 anos. O ex-presidente boliviano entre 1980 e 1981 tinha carteira de identidade brasileira com o nome de Jorge Terrazas Pino e um passaporte boliviano como sendo Carlos Crespo Yangyas. No prédio 270 da Rua Nhu Guaçu, onde o ex-ditador vivia com Maria Divina Gomes Azevedo, uma mineira de 22 anos, dizia para todos ser um rico industrial uruguaio. Acusado pelos setores de combate aos narcóticos dos EUA como um dos principais traficantes da América do Sul, Meza escolheu o Brasil para viver por achar que "dificilmente" seria preso. No apartamento o delegado Roberto Precioso, que chefia as investigações sobre o ex-ditador, apreendeu uma pasta com documentos, agendas e disquetes de computador. A certeza da impunidade levou Meza, que deverá ser extraditado para a Bolívia, a comprar por US$60 mil um apartamento na mesma rua. "Queria ficar aqui, escrever minhas memórias. Agora só Deus sabe o meu destino", declarou. Alegou estar vivendo da ajuda de parentes e amigos e negou ser traficante (O ESP) (FSP).