MINISTRO DEFENDE REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO PARA 40 HORAS

O ministro do Trabalho, Walter Barelli, defendeu ontem a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais como forma de ampliar a oferta de empregos no país. "Temos uma jornada muito grande", disse o ministro, que pretende transformar a redução das horas de trabalho na principal bandeira do governo federal para a nova etapa da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, que agora está voltada para a criação de empregos. Barelli citou o exemplo da Volkswagen alemã, que recentemente fixou a sua jornada de trabalho em 28h30m semanais, para afirmar que os países europeus já rejeitam jornadas muito longas. "Lá, a bandeira da redução já não pertence aos trabalhadores, mas às próprias empresas", assegurou. Ele advertiu, porém, que mudanças da carga horária dos trabalhadores não devem ser acompanhadas da redução dos salários. O ministro participou ontem do 31o. Fórum Nacional de Secretarias do Trabalho, que reuniu o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e secretários de 18 estados no Rio de Janeiro (capital). Ao analisar o Mapa do Mercado de Trabalho no Brasil, a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que aponta um total de 20 milhões de subempregados no país, Barelli disse que o governo federal deve priorizar a criação de novas unidades de trabalho voltadas para a economia informal. O sociólogo Herbert de Souza criticou a falta de apoio do empresariado ao movimento. "Se os empresários brasileiros estivessem na luta contra a fome e a miséria e pelo emprego, eu certamente estaria de férias", ironizou. Ele disse que o último contato com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) foi feito ainda na gestão de Mário Amato. Betinho garantiu que, com a ausência das empresas, "não dá para ter férias" como coordenador da campanha. Para ele, a participação deste setor da sociedade é indispensável na luta contra o desemprego. "Nós temos que apertar os empresários, porque agora chegou a vez deles", disse. O sociólogo lembrou que, sob a alegação de que o movimento era assistencialista e não combatia os problemas estruturais, os empresários se ausentaram da primeira etapa da campanha, voltada para o combate à miséria. "Tudo bem, mas agora chegou o momento das questões estruturais", afirmou. Para Betinho, os banqueiros estão "muito reticentes", apesar de comandar um setor que tem uma Influência incontestável na economia". As assessorias de imprensa da FIESP e da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) informaram que há iniciativas individuais de empresas e bancos na campanha contra a fome. O Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE) sugeriu ontem a redução temporária dos encargos sociais pagos pelas empresas como uma das iniciativas para a criação de novos empregos no país. Isso aumentaria a renda real dos assalariados, o que, por sua vez, aumentaria o consumo interno e como consequência geraria mais emprego", disse o coordenador do PNBE, Emerson Kapaz (O ESP) (JC) (FSP).