CNBB INICIA CAMPANHA CONTRA VIOLÊNCIA

Cerca de 70% dos casos de agressões contra menores são protagonizadas pelos pais ou parentes próximos, de acordo com a Pastoral da Criança. Ontem, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fez o lançamento de uma campanha de alerta à população. "A campanha pretende fazer com que as pessoas reflitam e vejam que a solução para o problema também está dentro de casa", afirmou o presidente da entidade, dom Luciano Mendes de Almeida, que aproveitou para cobrar do governo medidas para coibir a violência. "É importante que o presidente Itamar Franco assine as medidas aprovadas pela comissão anti-violência do Ministério da Justiça", disse. As medidas incluem a reformulação do sistema penitenciário e da polícia, de forma a torná-los mais funcionais. Inicialmente, a campanha, cujo tema é "A violência começa em casa, a solução também", será veiculada durante três semanas. São três filmes para televisão, três spots para rádios e três anúncios para imprensa, que pretendem mostrar imagens e mensagens fortes sobre a realidade de milhares de crianças no país. Além das peças publicitárias, foram feitas duas mil cópias de um vídeo de 22 minutos, que mostra situações de agressão à criança. As fitas serão enviadas a comunidades onde a Pastoral da Criança atua para servir de subsídios em debates e buscas de solução. A campanha custou US$36 mil e foi financiada com o dinheiro de um prêmio que o governo francês deu à Pastoral da Criança. Aproveitando a campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema é a família, a Pastoral da Criança cita estatísticas comprovando que, dos 55,6 milhões de crianças brasileiras com menos de 14 anos, 12% sofrem algum tipo de agressão em casa. De acordo com levantamento da Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência da Infância, 6,6 milhões a cada ano são vítimas de agressões diárias. Há ainda pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicando que a maior parte dos agressores é conhecida das crianças e, em pelo menos 50% dos casos, a violência é cometida no próprio lar (O ESP) (O Globo) (JB).