CERCA DE 13% DAS CRIANÇAS TRABALHAM NO CONTINENTE

O Bureau International du Travail (BTI), órgão sediado em Genebra (Suíça), estima que 12,8% das crianças entre 10 e 14 anos que vivem na América do Sul trabalham. O dado é de 1990 e resulta de uma pesquisa com 27,2 milhões de crianças do continente. O BTI, que desenvolve há dois anos um projeto mundial sobre o trabalho infantil, calcula que 13,7% dos 71 milhões de crianças entre 10 e 14 anos trabalham em todo o mundo. A porcentagem relativa à América do Sul é baixa se comparada à da África (22%) ou da Ásia (15%). Mas a porcentagem relativa às crianças brasileiras entre 10 e 14 anos que têm uma atividade econômica é alarmante: 18%. No Brasil, o trabalho de crianças é legal a partir dos 14 anos, e portanto o relatório inclui as que trabalham ilegalmente. O México, que segue a mesma regra, também tem 18% de crianças economicamente ativas. O BTI promove uma campanha internacional para que a idade mínima para o trabalho passe a ser 15 anos. Entre os países europeus, a Itália é o que tem mais crianças empregadas, principalmente nas indústrias de couro da região de Nápoles. Na Espanha, mais de 100 mil crianças trabalham na agricultura, em geral nas propriedades de suas famílias. Na Ásia, região do mundo onde há mais crianças que trabalham, elas formam cerca de 11% da mão-de-obra total. Só na Índia, 44 milhões de crianças têm um trabalho, a maioria nas tecelagens de tapetes, e estima-se em um milhão as que exercem trabalhos forçados para pagar dívidas dos país. Como muitas crianças trabalham em atividades domésticas ou como ajudantes, é muito difícil estabelecer estatísticas e o BTI estima que o número real de crianças no trabalho seja superior ao que seus relatórios apresentam. Um estudo na Nigéria, por exemplo, revelou que apenas 27% das crianças vão à escola, de onde se poderia concluir que as outras 73% exercem alguma forma de trabalho (FSP).