O desemprego que pode ser medido é um fenômeno dos países ricos, onde há proteção social ao trabalhador e seguro-desemprego para continuar a viver com dignidade. "Nos países pobres, geralmente só há desemprego da elite", explica o norueguês Eivind Hoffmann, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Genebra (Suíça). Ele avisa que é preciso ter cuidado com os números porque "é impossível comparar as estatísticas de um país com as de outro, devido à diversidade de situação econômica e social". Outro fator que dificulta a comparação é que as metodologias aplicadas na coleta de dados divergem. O cidadão que não pode contar com o Estado e tem que se virar para
78619 sobreviver não consta em nenhum levantamento sobre desemprego, afirma a costarriquenha Adriana Mata, outra especialista da OIT. No entanto, isso não quer dizer que seja melhor viver na Bolívia (5,7% de desemprego) que no Canadá (11,3%). Também existe um fator cultural que influencia os dados. Em certos países, inclusive latino-americanos, muita gente tem vergonha de se declarar desempregada. A OIT não tem dados sobre subemprego e aguarda financiamento para seu primeiro programa nessa área (FSP).