Teve início ontem em São Bernardo do Campo (SP) uma greve inédita. Cerca de 10 mil dos 12.500 empregados da Mercedes-Benz cruzaram os braços em represália à atitude da montadora, que decidiu estender a mil trabalhadores não-sindicalizados o mesmo tratamento dado aos sindicalizados (ou seja, os 10 mil grevistas) na reposição das perdas salariais dos planos Bresser e Verão. Os trabalhadores pertencem ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT. A Mercedes pagou 200 horas do salário de fevereiro para os não-sócios-- o mesmo recebido pelos sindicalizados-- em vez das 80 horas (cerca de 30% do salário) que tinha acertado com o sindicato. Em consequ"ência de sua generosidade, a montadora teve sua produção totalmente interrompida ontem pelo movimento. A greve prossegue hoje. Foi uma provocação da Mercedes, que tentou queimar o sindicato. A
78614 peãozada ficou irritada porque paga o sindicato e se mobilizou para
78614 conseguir a reposição do salário, enquanto os não-sócios não mexeram
78614 uma palha para ter o mesmo direito, alegou Tarcísio Secoli, diretor do sindicato. A diretoria da Mercedes-Benz divulgou um comunicado, justificando que pagou abono aos não-sindicalizados para dar tratamento igual a todos os empregados (O Globo).