Dentre os detalhamentos estatísticos elaborados para o Mapa do Mercado de Trabalho no Brasil, lançado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em apoio à campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, um dos que mais demonstram o confronto entre as vicissitudes da realidade e as possibilidades concretas de desenvolvimento do país é o que se refere ao grau de instrução da população trabalhadora. Segundo o levantamento, 64,5% dos trabalhadores do país (quase 40 milhões de pessoas) têm no mínimo quatro anos de estudo, o que equivale ao antigo ciclo mínimo de alfabetização, o primário. Os números demonstram que há no país trabalhadores com formação escolar capaz de compor o perfil de uma mão-de-obra perfeitamente qualificável. Dos 62 milhões de pessoas que estão inseridas no mercado de trabalho (formal ou informal), um contingente considerável de 51,7 milhões têm pelo menos um ano de estudo. Apenas 16,4% das pessoas ocupadas no país se declararam sem instrução ou com até um ano de estudo. Entre um e três anos (insuficiente para que haja sequer a conclusão do antigo primário, que hoje representa metade do primeiro grau) estão 19,1% da população ocupada. Os números mais alentadores encontram-se daqui para diante: 32,9% estudaram entre quatro e sete anos; 12,2%, entre oito e 10 anos; e 19,4%, 11 anos ou mais. A população trabalhadora mais instruída do país, ou pelo menos com maior número de anos de estudo, está localizada próxima ao poder, no Distrito Federal. Ali se encontram 40,5% das pessoas com 11 ou mais anos de estudo. Em segundo lugar está o Estado do Rio de Janeiro, com 29,8%, seguindo-se São Paulo, com 24,5% das pessoas com mais de uma década de escola. No "ranking" negativo, o destaque é para Alagoas: é o estado com a maior porcentagem de pessoas com menos de um ano de estudo ou sem instrução alguma, 42,8% do total de trabalhadores. Em segundo lugar vem o Maranhão, com 39,7% e, em terceiro, o Piauí, com 39,5%. Na comparação entre as populações urbanas e rurais, o Mapa elaborado pelo IBGE revela uma realidade previsível: a maioria das pessoas sem instrução encontra-se no campo (33,6% sem instrução ou com menos de um ano). É a maioria desta população, dentre a qual apenas 3,4% têm 11 ou mais anos de estudo. Quanto à população urbana, a situação é diferente. Como as cidades são muito mais bem servidas pelas redes pública e privada de ensino-- do primeiro ciclo à universidade--, o grau de instrução sobe sensivelmente. A maioria das pessoas que vivem nas cidades (34,1%) têm entre quatro e sete anos de estudo. Em segundo lugar estão os que estudaram 11 ou mais mais anos, 25,3%. O IBGE constatou que 10,1% da população trabalhadora das cidades não têm instrução ou estudaram menos de um ano. É a menor taxa (FSP).