Um dos argumentos que o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, pretende usar na campanha contra o desemprego, a segunda fase da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, é que a criação de emprego não depende de empreendimentos ou projetos de grande porte. O Mapa do Mercado de Trabalho no Brasil, lançado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 49,5% dos brasileiros com ocupação trabalham em núcleos de até cinco pessoas. "A luta contra o desemprego e pela melhoria da qualidade de vida pode ser travada por qualquer um, em qualquer lugar. Não é obrigação apenas do grande empresário", disse Betinho. A maioria absoluta (56,6%) da população ocupada trabalha em núcleos de até 10 pessoas. Nos estados mais pobres, esse índice é mais elevado, como no Maranhão (74,8%). Os únicos estados onde a maioria da população ocupada trabalha em empresas com mais de 10 pessoas são o Rio de Janeiro (54,2%), São Paulo (58%) e o Distrito Federal (58,6%). O outro extremo está no Maranhão (19,3%). O Mapa do Mercado de Trabalho foi oficialmente lançado também em Brasília (DF), em cerimônia no Ministério do Planejamento. O trabalho do IBGE foi entregue pelo ministro do Trabalho, Walter Barelli, a seu colega do Planejamento, Beni Veras. O dado considerado mais impressionante refere- se à exploração da mão-de-obra infantil, que contraria a Constituição e todos os acordos internacionais firmados pelas autoridades brasileiras nos últimos anos. Segundo Barelli, os secretários de Trabalho de todo o país deverão reunir-se nos próximos dias para discutir formas para o combate ao desemprego. O ministro do Planejamento, Beni Veras, prometeu para dentro de 15 dias um plano de trabalho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para tentar reduzir as desigualdades regionais detectadas pelo Mapa do IBGE. Para o presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), dom Mauro Morelli, a radiografia apresentada pelo IBGE deve perturbar todas as candidaturas e exigir que os postulantes se posicionem, apresentando propostas para resgatar a dignidade humana e a cidadania (JB) (GM) (FSP) (O ESP) (JC) (O Globo) (O Dia).