As mulheres de todo mundo uniram-se ontem em seus países para fazer reivindicações e analisar sua situação. O quadro apresentado mostra grandes diferenças entre as mulheres do Primeiro Mundo e do Terceiro Mundo e algumas semelhanças. Das mulheres francesas, por exemplo, 81% se proclamaram numa pesquisa satisfeitas com sua qualidade de vida, enquanto na Guatemala, a Prêmio Nobel da Paz de 1992, Rigoberta Menchu, proclamava que "ser pobre é uma dupla injustiça: cotidianamente nossos direitos inelienáveis nos são negados e nos reduzem a algo menor que o ser humano". As argelinas se levantaram contra a situação da mulher sob o Alcorão, proclamando a liberação do véu e da submissão. Em Londres (Inglaterra), a augusta Câmara dos Lordes não se sensibilizou com o Dia Internacional da Mulher e vetou um projeto de lei que garantiria a igualdade de sexos na trasmissão hereditária de títulos nobiliárquicos. Margarita Zapata, neta do revolucionário mexicano Emiliano Zapata, afirmou nos bastidores de um debate em Sevilha (Espanha) sobre oportunidades iguais para a mulher, que é preciso ter consciência da situação na Europa, onde se luta por igualdade, e na América Latina, "onde se luta por sobrevivência". Ela enfatizou a gravidade da situação que as mulheres enfrentam na América Central e na América do Sul. Citou o exemplo da Nicarágua, onde "o índice de desemprego é de 60% e o coletivo mais prejudicado, sem dúvida, é a mulher". Ela disse que não apenas na América Latina, mas em todo o Terceiro Mundo, "a mulher tem a dupla função de ser chefe de família e trabalhar, sempre discriminada por questões de sexo". No Primeiro Mundo, milhares de alemãs promoveram uma greve e ruidosas manifestações em todo o país pela igualdade de direitos com slogans tipo já basta e "quem vai fazer o café hoje?". As mulheres muçulmanas de Sarajevo, na Bósnia Herzegovina, vítimas de uma prática deliberada de estupros por parte das forças sérvias em dois anos de conflitos, saíram às ruas para pedir à Europa que acabe de vez com a guerra. Uma paz temporária chegou a Sarajevo com o fim dos constantes bombardeios sérvios, mas as manifestantes locais pediram pelas mulheres que ainda sofrem em outras cidades da Bósnia (JB).