Entre as mulheres paulistas, o número médio de filhos está caindo num ritmo tão acelerado que chega a surpreender os especialistas em demografia. De acordo com um estudo divulgado ontem pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE), a taxa de fecundidade caiu 33% em 10 anos: era de 3,14 filhos por mulher em 1983 e baixou para 2,28 em 1992. Essa queda não tem procedentes na experiência de países e regiões que
78532 passaram antes do Brasil pela transição demográfica, disse Letícia Costa, chefe do departamento de análise demográfica da SEADE. Os técnicos da Fundação também se surpreenderam com a revelação de que a queda na taxa de fecundidade está ocorrendo de maneira quase homogênea em todas as regiões do Estado de São Paulo e nos mais diferentes níveis sócio-econômicos. "Embora as famílias pobres continuem sendo as mais numerosas, também entre elas o número de filhos caiu", observou o demógrafo Paulo Campanário, consultor da SEADE. De acordo com o estudo, a taxa de fecundidade no estado começou a declinar em 1960, quando era de 4,69 filhos por mulher. Este descenso continuou acentuado até 1975, quando estabilizou-se em torno de 3,4. A partir de 1983, porém, a taxa voltou a despencar, chegando a 2,28 em 1992. Os técnicos estimam que ela continua caindo, podendo ter chegado à média de dois filhos por mulher no estado. Entre famílias ricas, o número seria menor (O ESP).