NAFTA DARIA POUCO AVANÇO À ARGENTINA

O comércio da Argentina com os EUA aumentaria apenas 4,3% com a adesão do país ao NAFTA, segundo um estudo divulgado ontem. A análise, elaborada por técnicos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), destaca, por outro lado, que o encerramento da Rodada Uruguai do GATT terá resultados muito positivos para a Argentina. As versões sobre a possível entrada argentina no NAFTA tinham despertado inquietação no Brasil, Uruguai e Paraguai, países que integram com a Argentina o MERCOSUL. Nas negociações para a formação do pacto regional havia sido estabelecido que não seriam tentadas adesões individuais ao NAFTA. No caso de entrada argentina no NAFTA, a liberação de tarifas nos EUA se refletiria num aumento de US$46,2 milhões no intercâmbio bilateral. Mas a entrada em vigor dos acordos da Rodada Uruguai do GATT, a partir de abril, representará um acréscimo de US$360 milhões nas contas comerciais argentinas. A estimativa faz parte das conclusões de um estudo assinado pelos técnicos Eduardo Bianchi e Jorge Robbio. Os autores mediram o impacto que terá na Argentina e no Brasil a formação do NAFTA, na medida em que um dos seus membros, o México, comece a abastecer os mercados do Norte-- além dos EUA, o Canadá-- com produtos que concorrem com os países do Sul. Desse ponto de vista, as consequ"ências a curto prazo seriam leves, segundo os técnicos. Para os dois países, a diminuição do comércio com os EUA seria de 0,9%. Segundo dados oficiais divulgados no último dia cinco, o déficit comercial argentino em 1993 foi de US$3,6 bilhões. Desse total, 70% correspondem às perdas no comércio com os EUA. Argentina e Chile são os dois candidatos colocados na primeira fila para a incorporação ao NAFTA. O governo norte-americano prometeu à Argentina que essa possibilidade começará a ser analisada no segundo semestre deste ano. O governo do presidente Carlos Menem garantiu, porém, que sua adesão ao NAFTA não significará abandonar os seus sócios do MERCOSUL (JC).