O mundo todo está passando pela pior crise de desemprego desde a Grande Depressão, nos anos 30. Atualmente, 30% da força de trabalho mundial estão sem ter o que fazer, ou vivendo de biscates, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Isto é o equivalente a 820 milhões de pessoas. Por causa disso, pelo menos 1,1 bilhão de seres humanos estão vivendo abaixo do limite de pobreza de seus países. Ou seja: eles têm menos do que o mínimo necessário para manter um padrão de vida decente. No ano passado, a renda per capita média caiu pela quarta vez consecutiva, refletindo uma estagnação geral da produção mundial. Ao divulgar esta constatação ontem, em Washington (EUA), a OIT exibiu outros dados surpreendentes. Por exemplo: a situação na América Latina está melhor do que em muitos países ricos, em especial na Europa, no que diz respeito ao emprego. Muitos países europeus estão com índice de desemprego acima dos 10%, assim como o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia. A crise é mais acentuada na Espanha, onde os desempregados são 22,7%. os números são referentes a 1992 e o Brasil aparece numa posição razoável: 5,3% das pessoas com capacidade de trabalhar estão nas ruas, buscando emprego. O México aparece com o melhor índice da América Latina: 2,3%. Praticamente metade dos 35 milhões de desempregados da Europa Ocidental
78509 estão nas ruas há mais de um ano. Entre os países industrializados, só
78509 os EUA mostraram um crescimento econômico e também de oferta de empregos.
78509 No mundo em desenvolvimento, só algumas nações asiáticas e latino-
78509 americanas tiveram um real progresso econômico, disse Michel Hansenne, diretor-geral da OIT. O desemprego aumentou em três países da América Latina. Na Argentina, subiu para 6,7%, na Venezuela foi para 8,7% e no Chile cresceu para 4,9%. Quem conseguiu garantir seu emprego na região teve como se manter razoavelmente: a OIT constatou que a erosão dos salários chegou ao seu fim na maioria dos países da área. As exceções foram Brasil e Argentina. Os trabalhadores brasileiros tiveram uma perda real de salários de 6% entre 1991 e 1992. Os argentinos tiveram pior sorte: perderam 14% (O Globo).