Se quiser conter o avanço da AIDS, o governo terá de distribuir ou subsidiar cerca de 177 milhões de camisinhas apenas no Estado de São Paulo ao longo deste ano. O número corresponde somente às necessidades dos grupos de maior exposição ao vírus, como as prostitutas, travestis, presidiários e meninos de rua. A produção nacional de camisinhas no ano passado foi de 53 milhões de unidades. No final do ano passado, o Ministério da Saúde importou 18 milhões de camisinhas para distribuição gratuita. Até agora distribuiu seis milhões. O estudo foi feito pela fundação Family Health International em convênio com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Foi utilizado um programa norte-americano específico para estimativas e projeções do uso de camisinhas. O total de 177 milhões corresponde ao uso pelos vários grupos em todas as relações, já considerando margem de perdas e estoque de segurança. Segundo o estudo, somente as "trabalhadoras do sexo"-- como são chamadas as prostitutas-- necessitariam de 1.680 camisinhas por ano, ou cerca de cinco por dia. Quanto aos presidiários, são necessárias cerca de 600 mil camisinhas por ano. Entre os grupos de maior exposição também estariam 1,5 milhão dos cerca de oito milhões de estudantes de escolas públicas do estado. Cada um precisaria de uma camisinha por semana. De acordo com a pesquisa, existiriam no estado cerca de 50 mil usuários de drogas injetáveis. Cada um deles necessitaria de seis camisinhas por semana. Também foram avaliados as necessidades dos cerca de 10 mil doentes de AIDS vivos e de cerca de 90 mil portadores do vírus que frequentam os serviços de Saúde. O estudo avalia ainda as necessidades para os próximos quatro anos. Em 1998, por exemplo, o governo precisaria estar subsidiando cerca de 480 milhões de camisinhas só no Estado de São Paulo (FSP).