O Nordeste do Brasil disputa com os países africanos um lugar para entrar na Convenção Internacional da Desertificação, que será assinada em junho, em Paris. O acordo é chamado de "convenção dos pobres", uma referência às convenções das Mudanças Climáticas e da Biodiversidade, acertadas durante a Rio 92. Em torno da Convenção da Desertificação, estão em jogo ajuda financeira internacional e apoio tecnológico. Segundo as Nações Unidas, a área desertificada da África é habitada por 60 milhões de pessoas. No Nordeste brasileiro, 15 milhões são atingidos pela seca, dos quais 3 milhões vivem em regiões em processo de desertificação. Este confronto da "miséria com a miséria", com base em estudos científicos, é o foco principal da Conferência Nacional da Desertificação, a ser realizada em Fortaleza, de amanhã ao dia 9, seguida do Seminário Latino-Americano da Desertificação, nos dias 10 e 11. O ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, Rubens Ricúpero, já confirmou sua presença na conferência e no seminário, diz Heitor Mattalo Júnior, secretário-executivo do encontro, organizado pela ONG Fundação Esquel Brasil (JB).