ONU VAI DEBATER A VELHICE

Ainda nesta década, cerca de 1 milhão de pessoas por mês estarão completando 60 anos de idade, segundo estimativas levantadas recentemente pela Organização das Nações Unidas (ONU). O processo de envelhecimento da população e as dificuldades enfrentadas pelos idosos são itens que vão ser analisados na Conferência da ONU que será realizada em setembro, no Cairo. Além de uma infinidade de problemas decorrentes do crescimento demográfico mundial e do desenvolvimento em que a conferência pretende centralizar as discussões. Há muito que a ONU tem se voltado para os problemas que envolvem o envelhecimento. Os últimos percentuais apresentados pela entidade revelaram a presença de 70% dos idosos do mundo nos países em desenvolvimento. E que de 1980 a 2001, o número de pessoas em todo o mundo com mais de 80 anos terá aumentado 54%. Com base nestes dados, o diretor da Unidade de Envelhecimento da organização, Alexander Sidorenko, concluiu que a velhice é uma das mais importantes questões sócio-econômicas a serem enfrentadas neste fim de século. Somente no Brasil, em 1990, a faixa acima de 65 anos já constituía 4,8% da população, somando aproximadamente 7 milhões de idosos. Projeta-se que até 2020 eles serão 16,2 milhões, segundo índices divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Estes números vão ser possíveis graças à diminuição da taxa de mortalidade e ao aumento da expectativa da vida devido à melhoria das condições de saúde, consequências do desenvolvimento tecnológico", afirmou o diretor do Fundo da Nações Unidas para a População (FNUAP), Pedro Villanueva. O envelhecimento mundial foi questionado pela primeira vez pela ONU em 1948. A Assembléia se constituiu através de iniciativa da Argentina,, autora do pedido. Em 1982, novamente a entidade promoveu uma outra conferência sobre o assunto em Viena, na Áustria. Na ocasião, foram focalizados os problemas econômicos, culturais, sociais e políticos ligados aos idosos. Neste encontro estabeleceu-se um plano de ação da ONU abrangendo sete áreas em que os direitos das pessoas idosas devem ser respeitados: saúde e meio ambiente, família, bem-estar social, emprego e segurança salarial e educação. Durante o ano de 1992, o Itamaraty coordenou uma série de debates com organizações feministas e outras entidades para definiar a posição do Brasil na Conferência do Cairo. O crescimento demográfico, o planejamento familiar, a saúde e os direitos reprodutivos foram as questões consideradas prioritárias e deram origem a um relatório de 118 páginas que será apresentado no Cairo (JC).