Apesar do enorme trauma e danos causados pela talidomida a centenas de famílias, nos anos 60, o número de vítimas do medicamento no país continua crescendo. O remédio, que provocou em 20% das mulheres que o utilizaram durante a gravidez, o nascimento de bebês sem braços ou pernas, é empregado, hoje, no tratamento de hanseníase, câncer e doenças de pele. Segundo a presidente da Associação Brasileira das Vítimas da Talidomida (ABVT), Rosangela Gonçalves Nascimento, a desinformação sobre o perigo do medicamento, especialmente quando é tomado por mulheres em idade fértil, é muito grande. Como, no país, a maioria dos hansenianos é carente, é comum a prescrição indiscriminada-- no Maranhão, por exemplo, uma mulher que tomava regularmente a talidomida repassou o remédio (que é antiinflamatório e calmante) para a irmã grávida, por não saber das consequ"ências. Segundo a presidente da ABVT, é provável que existam no Brasil cerca de sete mil casos de crianças deficientes nascidas nos últimos 20 anos, ou seja, depois de o remédio ter sido proibido. A Associação quer lançar uma campanha nacional de esclarecimento sobre a talidomida, mas, esbarra no descaso das autoridades. A talidomida foi proibida no início dos anos 60, mas o Brasil voltou a fabricá-la em 1965 e, hoje, exporta para 38 países (JB).