FMI: FALTAM US$2 BILHÕES

Faltam US$2 bilhões para o Brasil fechar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A missão do Fundo, chefiada pelo economista José Fajgenbaum, quer estar segura de que o governo conseguirá aquela receita com a venda de ações, dentro do programa de privatização. No próximo dia sete, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Pérsio Arida, reúne-se com a missão do FMI para uma conversa que poderá ser definitiva. O FMI quer consistência nos números. Precisa ter a garantia de que chegará a US$900 milhões a receita com venda de ações minoritárias e, ainda, saber da viabilidade da privatização da LIGHT e da ESCELSA neste ano. O FMI poderá fechar um acordo do tipo "stand by" com o Brasil, com meta de equilíbrio operacional para fins de 1994, como quer o governo, desde que as projeções de receita fiscal sejam absolutamente confiáveis. Isso ficou claro nas conversas da última semana com a equipe econômica. A bilionária família norte-americana Dart, que detém cerca de 4% da dívida externa brasileira com os bancos privados, ou US$1,4 bilhão, pode ir à Justiça contra o governo brasileiro para receber a dívida pelo valor de face e não com os descontos embutidos no acordo que o Brasil espera concluir com os bancos no dia 15 de abril. Essa pelo menos é a expectativa do vice-presidente sênior do Citibank-- banco que preside o comitê de credores--, Bill Rhodes, como ele disse, semana passada, a um intelocutor no Brasil. Se a previsão estiver correta, haverá um embaraço na reta final do acerto com os bancos (GM).