RIO DE JANEIRO SEDIARÁ A UNIVERSIDADE DA PAZ EM 1995

Pierre Weill se define como "francês, cidadão do mundo e brasileiro de coração". Psicólogo e educador, ele lançou ontem, no Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), no Rio de Janeiro (capital), a campanha Mutirão Nacional de Educação pela Paz/Projeto Beija-flor, que vai preparar o Rio para ser, em abril de 1995, a sede da Unipaz-- a Universidade da Paz. Com apoio dos movimentos Viva Rio e Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, o "Projeto Beija-flor" nasceu no dia seguinte à chacina da Candelária. "É preciso dar um basta na violência, que é produto da falta de uma educação para a paz", diz Weill, consultor da UNESCO e presidente da Universidade Holística de Brasília. Para um dos coordenadores do Viva Rio, o antropólogo Rubem César Fernandes, "o engajamento neste projeto é importante porque a paz não é valorizada como é valorizada a violência". Durante todo o ano serão realizadas palestras de preparação para o lançamento do "Mutirão Nacional para a Paz", que pretende introduzir programas de educação para a paz nas escolas pré-primárias, primárias, secundárias e superiores, além das empresas e da mídia. Já existem universidades para a paz, com apoio da ONU, em Tóquio, na
78471 Costa Rica e em Brasília, conta Weill. Segundo ele, o Brasil é um dos raros países que pode dar ao mundo um modelo de um povo pacífico, porque o país é "um celeiro de paz". "Quando cheguei aqui, fiquei espantado ao ver que as pessoas ainda se abraçam, que existe a solidariedade. Não há isto no resto do mundo. A civilização industrial mata o abraço, a emoção", observa (JB).