FALTAM VERBAS PARA DEMARCAR TERRA INDÍGENA

Irritado com o corte de US$37,5 milhões para demarcação das terras indígenas neste ano, o presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), dom Apparecido José Dias, acusou ontem o governo Itamar Franco de estar preocupado em atender interesses de grupos econômicos e políticos interessados na livre exploração dos recursos naturais existentes em áreas indígenas. "O atual governo paralisou todas as demarcações de terras. A verba destinada não permite que as demarcações aconteçam", afirmou dom Apparecido. Dos US$39,3 milhões solicitados pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o governo federal concedeu apenas US$1,8 milhão, o equivalente a 5% do requisitado, para demarcação de áreas indígenas. Segundo o presidente do CIMI, esses recursos são suficientes apenas para atender os trabalhos de identificação e delimitação das áreas, não sobrando praticamente nada para a regularização fundiária e demarcação. "Não há nenhuma vontade política deste governo para promover as demarcações", observou dom Apparecido. Ele citou, como exemplo, o caso da reserva da Raposa do Sol, em Roraima, que não terá neste ano os 1,4 milhão de hectares de terras demarcadas por falta de verbas e pressões dos militares. Preocupado com as 230 emendas propostas na revisão constitucional sobre a questão indígena, o presidente do CIMI iniciou um périplo esta semana para tentar demover parlamentares e militares contrários à demarcação de terras indígenas em regiões de fronteira. "Há pressões fortes sobre o relator da revisão (deputado Nelson Jobim-- PMDB-RS) para que os direitos dos povos indígenas sejam modificados", afirmou (JC).